Já se passou algum tempo desde a minha última mensagem neste blog, por isso aqui têm uma nova adição, com um aproach muito mais pessoal. Para as 2 ou 3 pessoas que ocasionalmente passam por cá, não se enjoem x)
Better not stop. Better not stop moving..
Sentimentos, a vida, momentos, bah, já nem sei por onde começar. Se ainda não repararam, a felicidade é contada por momentos no tempo, micro-segundos em que o nosso cérebro decide libertar endorfinas e outras merdas nele próprio.
É claro que a conjunção desses "momentos" consegue ser replicada e esgotada pela memória, à medida que nos afogamos em pensamentos tristes, usamos a nostalgia criada pela felicidade passada para mascarar a mossa, o que faz com que associemos os momentos de dor aos de prazer. Odeio-te.
Não te preocupes, não é a ti que eu odeio. Ele não lê o meu blog.
Porque é que eu fui sequer começar essa amizade estúpida? A tua imaturidade só causou dano na minha integridade pessoal, sabes? Quando disseste que não me querias magoar.. guess what? Se achas que ir-me removendo gradualmente de ti foi a melhor forma de lidares com a confusão que tens aí dentro, tudo bem. Também não é a ti que odeio.
Estou farto. Aposto que já deve ser difícil aturar uma mudança brusca no nosso modo de vida sem ter esse tipo de perturbações. Odeio-te pelo simples facto de existires, de fazeres com que algo que eu temesse acontecer concretizar-se.
Aquele lado psicopata que existe em mim continua controlado, mas a vontade é bastante. A tua vida é insignificante, e essa perpendicularidade é o que te mantém.
Na verdade, eu não estou com problemas a me adaptar a este meio, eu até estou a gostar bastante. Mas o propósito de máscara da mudança é que enerva.
Tenho saudades. Saudades das pessoas, mas principalmente daquelas insignificâncias que fazem a vida mais engraçada. Sinto falta de ter uma mensagem tua às 7 da manhã no telemóvel, das conversas intermináveis que tínhamos. Odeio o novo chuveiro. Odeio a pressão da água. Odeio o estúpido do bidé. Odeio-te.
Aquela carta indirectamente impulsionou-me a isto. Desculpa. Desculpa pelo que te fiz passar e pela dor que causei. Sei que isto é assim para o lamechas, mas depois do que passaste, o mínimo que te devo é um pedido de desculpas por ter pendulado assim no teu mundo.
A mensagem há de chegar.
Já não me apetece dar um murro na parede :)
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
sábado, 12 de junho de 2010
Vamos ajudar a crescer esta semente
Eu conheci Deus no outro dia.
Já sei o que estão a pensar: Como é que raio sabes que era Deus?
Bem, eu vou explicando à medida que vamos andando, mas basicamente ele convenceu-me por simplesmente ter todas, e eu quero dizer TODAS, as respostas. Todas as perguntas que eu lhe mandava eram atiradas de volta com uma plausível e satisfatória resposta. No fim, era mais fácil aceitar que ele era Deus do que o contrário.
O que é esquisito, porque eu sou ateu!
Tudo começou quando estava à espera do meu pai numa paragem de autocarro, não estava lá ninguém. Nem pessoas chatas de paragens de autocarros, nem crianças a ouvir música em altos berros a partir do telemóvel, nada. Então eu saco do meu próprio smartphone e ponho-me a jogar aquele jogo de puzzles com a bolinha..
Como é que ele se parecia?
Não é a pessoa que mais estavam à espera, isso é de certeza. Parecia-me ter uns 20 e tal anos, usava umas calças de ganga e uma t-shirt com uma imagem do hobgoblin. Definitivamente casual. Parecia ser talvez um trabalhador da segurança social ou até mesmo um programador como eu.
'Posso-me sentar?' disse ele.
'Faça favor' respondi.
Senta-se, relaxa, eu ignoro e continuo no meu mega vício de telemóvel.
Passa um autocarro e de repente ele diz:
'Posso te fazer uma pergunta?'
A lutar para não levantar a sobrancelha, respondi 'Sim.' com um tom que expressava que não me importava de responder a uma pergunta ou outra, mas não estava com vontade de conversar...
'Porque é que não acreditas em Deus?'
FFFFFF.. eu adoro este tipo de conversas, e consigo até mesmo ficar a saltitar nisto durante horas sobre a falta de sentido nas crenças teístas.. Mas eu tenho de ter vontade! É tipo quando as mulheres da Jeová tocam à campainha quando tens mesmo urgentemente de sair de casa. Tanto gozo desperdiçado! Mas caga nisso, eu não estava mesmo com vontade de conversar sobre isso. Tinha de arranjar maneira de dissipar a conversa.
Mas de repente lembrei-me.. 'Esquisito.. como é que este completo estranho está tão obviamente confidente - e correcto - sobre o meu ateísmo?' Podia haver algum pormenor sobre mim que lhe desse essa pista, mas não. Eu não tenho t-shirts sobre a evolução, não estava a jogar nenhum jogo puramente anti-bíblico. Como é que raio?
'O que é que te faz ter a certeza que eu não acredito?'
'Porque,' disse ele - 'Eu sou Deus - e tu não tens medo de mim.'
Vão ter de acreditar em mim, mas existem maneiras de entregar uma linha como essa - muitas das quais levariam o sujeito que a proclama a ser candidato a uma instituição mental, ou pelo menos prozac. Algumas até construídas de forma a serem levemente engraçadas.
Proclamar isso como um 'facto indiferente' é uma tarefa extremamente complicada, mas foi assim que lho saiu. Nada no seu tom de voz ou atitude atingiu-me de maneira diferente da esperada para aquela frase. Ele disse porque acreditava verdadeiramente nisso, e a sua racionalidade não me parecia derivar de um colapso psicológico ou de drogas alucinogénas.
'Porque haveria eu de acreditar nisso?'
'Bem' disse ele 'porque não me perguntas algumas questões? O que quiseres, para ver se as respostas satisfazem a tua mente céptica.'
Isto vai ser uma conversa curta afinal, pensei eu.
'Quem sou eu?'
'Serro. José Serro, nascido a 7 de Dezembro de 1993, Lagos, Portugal. Mãe Telma Marreiros, pai José Serro. Educado em várias escolas, desde a pré-primária, na Praia da Luz, até à presente escola secundária, Gil Eanes de Lagos. Encontras-te na turma A do 11º ano e és o número 11 da turma. Pouco sucesso em termos amorosos mas perfeitamente normal. Estás a voltar para casa após um breve passeio em que apostas no teu futuro como programador. Hoje de manhã não comeste absolutamente nada, pois nunca tens fome a essa hora.'
Ele pausou.
'Não me pareces convencido. Hmmm... o que é que seria necessário para te convencer?'
'Ah, já sei! A tua password secreta e a sua associação.'
Um verdadeiro hacker conseguiria, de forma muito remota, obter a minha password. Mas ninguém, e eu digo
NINGUÉM
sabe a sua associação.
Ele sabia.
Agora.. como é que teriam reagido?
Eu ainda lhe atirei mais umas quantas perguntas relativamente insignificantes mas que eu não sabia ao certo da minha vida. Aparentemente a primeira palavra que disse não foi "Coca-Cola" mas sim "mamã" :(
Mas eu já estava praticamente convencido. Eu sabia que só havia 3 possíveis explicações neste momento.
A primeira possibilidade era que eu estava ou a dormir ou a alucinar. Ninguém descobriu ainda uma maneira de determinar isso ainda, mas naquele momento era o sentimento dominante. Eu não me sentia real. Mais como se tivesse numa peça. A agir consoante as minhas linhas. Mas desde o ocorrido, tenho tido contínuas memórias bastante vividas de tudo, o que descarta a possibilidade de ser um sonho. E não me parece que tenha estado a alucinar desde ai. Estou agora inclinado a rejeitar esta hipótese. O que me deixa com outras duas.
Ele podia ser um verdadeiro telepata. Não existe evidência documentada de um ser com profundas habilidades até hoje, mas era uma possibilidade. Teria explicado como é que ele sabia os meus mais profundos segredos. Mas o problema é que não explicava nada do resto!
Como Sherlock Holmes diz, quando eliminares o impossível, o que resta, quão improvável é, tem de ser a verdade.
Bom empirista, Sherlock.
Fui forçado a aceitar a mínima possibilidade que este homem diz ser quem é.
O que fariam nesta situação?
Eu sempre soube que, se na mais remota possibilidade de conhecer Deus eu teria milhões de perguntas para ele. Então pensei, 'porque não?'
Daí veio uma conversa, em que eu estava um bocadito nervoso, sem mencionar o facto de que foi BASTANTE esquisita.
'Ok pensa direito, Zé. Tu sempre quiseste estar numa situação destas. E agora estás mesmo! Não quero desperdiçar uma oportunidade de uma vida!' Pensei eu.
'Não vais.' disse ele.
Ok. Foi neste momento em que me senti mais surreal do que em qualquer altura na vida. Um gajo sentado ao meu lado e obviamente a ler os meus pensamentos.. É tipo encontrar a mão de alguém dentro do próprio bolso.
De qualquer forma, algo me fez ficar inclinado para aceitar esta invasão. Eu estava de certeza a começar a ter confiança nas suas percepções e habilidades. Lembro-me distintamente o efeito das palavras que ele proferiu. Senti-me fortemente reassegurado e completamente relaxado. Como se não tivesse sequer uma dúvida. Porra, ele tinha umas técnicas de sedução maradas.
Foi então que começou a verdadeira conversa..
'És humano?'
'Não.'
'Já foste alguma vez?'
'Não. Mas parecido, sim.'
'Ahh, então és uma espécie de produto de uma evolução?'
'Certamente - dos meus.'
'Então.. evoluíste de uma espécie como a nossa, organismos baseados em DNA, ou igualmente exequível?'
'Correcto.'
'Então o que te faz, na verdade, ser Deus?'
'Eu fiz.'
'Porquê?'
'Parecia uma boa ideia na altura.'
'E os teus poderes actuais.. são de alguma forma parecidos aos que os fanáticos religiosos acreditam e tos atribuem?'
'Perto o suficiente.'
'Então tu criaste tudo isto para nós?'
'Não. Claro que não.'
'Mas criaste este universo?'
'Este sim.'
'Mas não o teu?'
'Este é o meu!'
'Tu sabes o que eu quero dizer..'
'Não consegues criar os teus próprios pais, por isso não.'
'Então deixa-me ver isto direito.. Tu és um fenómeno completamente natural?'
'Inteiramente.'
'A partir de princípios fundamentais em que nos baseamos e que um dia possivelmente possamos entender e até mesmo controlar?'
'Subjectivo a quem "nós" é, mas sim.'
'Quer dizer que se a espécie humana não chegar a isso, outras espécies irão eventualmente?'
'Como uma.'
'e quantas espécies é que se encontram presentemente à nossa frente?'
'Surpreendentemente poucas. Pouco menos de 14 milhões.'
'POUCAS?'
'Porra.'
'E quantas é que se encontram mais ou menos ao nosso nível?'
'Pouco mais de 4 mil e 500 milhões.'
'Então a nossa presença no universo é equivalente à de um ser humano qualquer no meio do nosso planeta, em relação à raça humana?'
'Um pouco menos. Nível Um. O nível que a vossa espécie já alcançou, começa com a invenção da máquina voadora. A minha definição de nível foi levemente abrangida pelo vosso escritor de ficção científica famoso, Isaac Asimov. O segundo nível consiste no controlo da vossa sustentabilidade primária. No vosso caso, o Sol. O que Asimov considera tecnologia Tipo I.
A Humanidade ainda agora chegou ao nível da conquista aérea, por isso, como podes imaginar, nesta escala, o ser humano está bastante no fundo do primeiro nível.'
'E todas estas espécies são teus filhos?'
'Gosto de ver as minhas criações dessa forma, sim.'
'Até que ponto?'
'Ao mais simples "A vida deve prosseguir". A minha motivação pessoal é o desejo pela conversação. Mal chegas ao meu nível, deixas de ser milhares de milhões de entidades separadas e passas a ser apenas uma singularidade. Um ser tão avançado, imortal, e tão avançado que por vezes se torna aborrecido! Parece-me que sou o primeiro. E não quero ser o último!'
'Então criaste um Universo potencialmente capaz de criar um Deus como tu?'
'O benefício total é temporário. Mas como a maior parte dos orgasmos, vale a pena.'
'Isto até ao momento em que o novo Deus se junta a ti e formam um novamente?'
'Não jogues isso a baixo! Isso é a visão estática que nos leva a todos, a mim incluído - e quando isso acontecer, o êxtase vai durar muito mais do que o tempo de vida que este universo já tem. Acredita, vale mesmo a pena o esforço.'
'Sim, consigo ver quais as atracções de um orgasmo que dure um bilião de anos..'
'E os humanos ainda nem sequer conseguiram realmente desfrutar do prazer dos orgasmos que são capazes. Esperem só até amestrarem essa simples arte!'
'Então tem tudo a ver com o sexo?'
'O êxtase é meramente uma recompensa por procriarem. É o que faz quererem faze-lo. Inicialmente esta é necessária para promover a evolução biológica. É claro que após passarem esta fase já não vai ser necessária a procriação e irão aprender que esse êxtase de prazer pode ser infinitas vezes mais forte do que qualquer coisa oferecida pelo sexo.'
'Parece-me bom..'
'Quão directo é o teu envolvimento nesta figura? Simplesmente deste rastilho ao Universo, chegaste-te para trás e observaste o espectáculo? Ou tiveste de pôr propositadamente todas as sementes em planetas apropriados?'
'As sementes são puramente resultado das operações realizadas pelas leis de física e química que os vossos cientistas hoje quase entendem. Sim, eu provoquei o Big Bang e essencialmente fiquei dormente durante os 5 mil milhões de anos seguintes. Isso foi o tempo necessário para que as primeiras formas de vida aparecessem. Isso põe-os aproximadamente a 8 mil milhões de anos à vossa frente. As primeiras formas de vida inteligente estão aproximadamente a 4.3 mil milhões de anos à vossa frente. Bastante avançados. Costumo ter conversas significativas e incrivelmente profundas com esses, e usualmente faço. Na verdade, estou de momento enquanto falamos.'
'E então e depois?'
'Se eu mantenho uma vigília completa sobre todas as acções que fazem? Não da forma que costumam imaginar. Digamos só que mantenho uma consciência global a nível planetário. Tendo só a focar-me em pontos de evolução importantes. Para ver se estão a ir na direcção certa.'
'E se não tiverem?'
'Nada. Usualmente.'
'Usualmente?'
'Usualmente as espécies acabam por se matar a elas próprias ou a se tornarem extintas por outras razões.'
'Usualmente?'
'Já houve alguns casos em que a espécie errada teve o potencial de se tornar na espécie dominante.'
'Deixa-me adivinhar. Os dinossauros do nosso planeta são um exemplo. Demasiado bem sucedidos. A suprimir o desenvolvimento dos Mamíferos e não mostravam sinais de desenvolver inteligência. Então fizeste uns pequenos arranjos para uma acção correctiva na forma de um astróide cuidadosamente seleccionado.'
'Perceptivo.. Quase correcto. Eles, na verdade, mostravam sinais de desenvolvimento de inteligência, e até cooperação. Estuda os vossos velociraptors. Mas demasiado predadores. Incapazes de alguma vez desenvolverem um "respeito" por outras formas de vida. É necessário promover uma ligação emocional com outros seres. Os Répteis da Terra não foram feitos para isso. Os Mamíferos desta altura nunca poderiam sobreviver contra tamanhos predadores. Ainda agora chegaram ao estado em que conseguiriam manter-se mesmo com os dinossauros, mas isso só começou a ser verdade à mais ou menos 1000 anos. Não teriam quaisquer hipóteses, por exemplo, há 2 milhões de anos. E por isso os dinossauros tiveram de ir. Eles eram, por outro lado, incrivelmente bem adaptados à ecologia do planeta, e nunca desenvolveram tecnologia, por isso não se iam matar a eles próprios muito rapidamente. Lamentavelmente tive de intervir.'
'Lamentavelmente?'
'Eram criaturas belas e profundamente bem adaptadas. Um não destrói tais coisas sem pensar muito.'
'Mas naquela altura como saberias que ia aparecer uma nova espécie com um melhor proveito?'
'Eu não sabia. Mas as probabilidades eram bastante elevadas.'
'E desde então que outras artimanhas é que foste responsável no nosso desenvolvimento?'
'Nenhuma até agora. Eu activei um alarme para me alertar de alguma actividade aérea, como costumo fazer. Leonardo parecia promissor ao início, mas quem despertou verdadeiramente a minha atenção foram os irmãos Montgolfier. Isso registou-os como uma espécie inteligente de nível um.'
'Então e Jesus, Mohamed, Moisés, Nazaré, etc?'
'Bastante mal guiados, receio. Qualquer um capaz de comunicar com as suas próprias células vai tenuemente se aperceber de que a minha presença - e a de toda a outra vida está conectada num senso quântico estrito. Mas a interpretação dessa visão como uma representação de algo sobrenatural e que requer obediência é algo fora da linha. E os seus seguidores são todos um pouco obsessivos e religiosos para o meu gosto. Para de ter piada ser adorado quando passamos da adolescência. Tendo dito isto, não é totalmente desusual para espécies em desenvolvimento passarem por essa fase. Até que estes consigam se aperceber do seu poder sobre a moldagem do universo à sua volta, pelo menos. Eventualmente, se a espécie quer ter alguma hipótese de se desenvolver para ser nível 2, têm de crescer disso e aceitar o seu próprio poder e potencial.
É muito parecido à relação entre uma criança e os seus pais. A reverência e adoração devem desaparecer antes de entrar na idade adulta. O respeito não é mau de todo, a não ser que seja exagerado. E eu certamente respeito todas as espécies que chegaram tão longe. É um caminho duro. Eu sei. Já passei por lá.'
'Tens-nos observado desde os Montgolfiers.. isso é desde quê? 1650s?'
'Perto. 1783.'
'Bem, já que nos tens observado de perto desde então, o que o ser humano normal iria querer perguntar era a razão pela qual não interferiste com mais frequência. Porquê, se tens todo esse poder, deixas passar tanta miséria e sofrimento humano?'
'Parece-me ser necessário.'
'NECESSÀRIO?!'
'Sem excepções, espécies inteligentes ganham dominação do seu planeta por se tornarem nos predadores mais eficientes. Existem muitas espécies inteligentes que não chegam a evoluir para dominar o planeta. Como os vossos golfinhos, eles adaptam-se perfeitamente ao meio ambiente, ao contrário de seguir o vosso caminho, que é manipular o meio ambiente. Infelizmente para os golfinhos, chegaram a um beco sem saída. Mesmo que a espécie sobreviva mais que os humanos, nunca irão escapar os limites do planeta Terra - pelo menos sem a vossa ajuda, não. Só aqueles que conseguem manipular o meio envolvente é que podem ter se quer esperanças de espalhar a sua semente pelo Universo.
Ao contrário dos adaptadores, que aprendem o ponto de cooperação muito cedo, os manipuladores continuam a lutar. E, mal todas as espécies inferiores forem dominadas, eles são tão competitivos e predadores que são levados a se virar contra eles próprios. Isto leva sempre à criação de competitividade tribal, e por aí a diante, tornando-se cada vez mais destrutiva - exactamente como a vossa própria história. Contudo, esta competitividade é vital para promover o salto evolutivo de biológico para tecnológico.
É necessária uma corrida armamentista para que haja progresso.
O vosso desejo pela dominação alimenta uma busca pelo conhecimento que os adaptadores nunca iriam necessitar. E embora a vossa aspiração por conhecimento é destrutiva e egoísta, começa o desenvolvimento de uma auto-consciência intelectual, uma forma de maior consciência, que nunca emerge em outras espécies. Nem mesmo quando as estão a experiênciar, por exemplo, conseguem os adaptadores - os vossos golfinhos - exprimir os conceitos de Amor ou Tempo?
A militarização e o desenvolvimento de armas de destruição maciça são o vosso primeiro teste sério no nível um. Ainda não passaram essa fase, mas mostram sinais promissores. Não existe nenhuma razão para eu prevenir a vossa auto-destruição. A vossa habilidade para sobreviver a esses impulsos é um teste crucial da vossa aptidão para sobreviver nos próximos estados. Então eu não, nunca e nunca irei intervir para prevenir uma espécie de se auto-extinguir. A maior parte, na verdade, conseguem isso sozinhos.'
'Mas e então quanto às pessoas que sofrem tantos tormentos?'
'Não posso dizer que seja uma coisa que me marque muito, mas quanto tempo passas a pensar nas formigas que pisas durante toda a tua vida, sem querer? Sei que pode parecer horrendo para ti, mas tens de ver isto num ecrã maior. Nesta altura do desenvolvimento humano, começam-se a tornar interessantes. Mas não importantes.'
'Ah, mas eu não consigo ter uma conversa inteligente com uma formiga..'
'Precisamente.'
'hmm.. mas como sabes, a grande maioria dos humanos não engolem bem essa perspectiva. Como é que a farias mais apetecível?'
'Porque haveria eu? Tu não me pareces estar a ter problemas em aceita tudo isto. Não és de maneira nenhuma inigualável. E de qualquer forma, mal começam a se aperceber do que lhes vem de bom, vão estar de alguma forma menos inclinados a se queixar. A vida eterna compensa para a maioria das coisas.'
'Então e o que é que seria necessário para que conseguisse-mos chegar ao conjunto de membros dessa inteligência universal?'
'Evoluem. Sobrevivem.'
'Sim, mas como?'
'Ah, pensava que já tinhas chegado a isso. O "como" é inteiramente da vossa parte. Se eu precisar de ajudar, vocês são uma falha. Só digo isto. Já passaram um grande obstáculo ao aprenderem a viver com a tecnologia nuclear. É deprimente o número de espécies que falham aí.'
'Então há pior para vir?'
'Bastante.'
'Armas Genéticas, por exemplo?'
'Uma boa possibilidade..'
'Mas o problema é que ao desenvolvermos estas tecnologias, vamos adquirir todo esse conhecimento perigoso para chegar ao nível dois. Mas a qualquer altura esse conhecimento pode ser fatal para nós.'
'Se achas que o armamento genético é algo sério, imagina descobrirem um segredo ou pensamento, acessível a qualquer indivíduo inteligente, que, se abusado, levasse à aniquilação da vossa espécie instantaneamente. Se o vosso progresso continua a este ritmo, então podem esperar conseguir obter um conhecimento desse tipo em menos de 1000 anos. Têm de crescer consideravelmente antes de poderem sequer obter esse conhecimento. E se não conseguirem.. bem, nunca irão se juntar às outras espécies fora do sistema solar no nível 2.'
'14 milhões deles..'
'Mesmo abaixo.'
'E vai haver espaço para a gente?'
'É um sítio grande.'
'Então e como é que nós, pequenos mortais, havemos de te olhar?'
'Mais ou menos como um irmão ou irmã mais velho. Claro que sei mais do que vocês. Já estive vivo mais tempo. Mas não sou propriamente "melhor" que vocês. Só muito mais desenvolvido. Talvez o que se possam tornar.'
'Então não somos obrigados a "Te agradar" ou adorar as tuas linhas guiadas ou algo assim?'
'Claro que não. Nunca eu pus regras no caminho que devem seguir. Têm de descobrir a saída deste labirinto sozinhos. E um grande salto na evolução é pararem de querer ajuda minha - ou de qualquer outro.
Eu suponho que isso até seja uma espécie de orientação!
Mas a sério, as espécies que tendem a se agarrar demasiado a crenças religiosas acabam por se auto-destruir. Gastam tanto tempo e energia a argumentar sobre a minha verdadeira natureza e gastam tanta emoção nas suas selvagens e erratórias imagens, que acabam por se matar uns aos outros só pela diferenças nas definições de algo que não tem importância nenhuma no desenvolvimento da espécie, e que não têm sequer pistas sobre. Comportamento ridículo, mas acaba por eliminar os fracos.'
'Porque é que me escolheste a mim? Um ateísta entre todas as pessoas? Porque é que me estás a dizer isto? E porquê agora?'
'Porque é que te escolhi a ti? orque aceitas a minha existência sem que o teu ego se enrole num canto a chorar.
Consegues seriamente imaginar a reacção do Papa à realidade da minha existência? Se ele realmente percebesse o quão errado ele e a igreja têm agido, quanta da dor e do sofrimento que mencionaste anteriormente foi causado pela sua religião, suspeito que ele teria uma coronária instantânea! Ou consegues imaginar o que aconteceria se eu aparecesse "em directo" simultâneamente em várias dezenas de programas de propaganda tele-evangelista. O Pat Robertson iria se cremar se soubesse com quem é que estava a falar.
Reciprocamente, o teu interesse é puramente académico. Nunca engoliste o conto de fadas mas estiveste sempre aberto à possibilidade de um ser mais avançado que conseguisse adquirir poderes tipo Deus. Acertaste correctamente que o sentido da vida é o estatuto de Deus. Mostraste que consegues aceitar bem o conceito. Parecia-me razoável confirmar as tuas suspeições e deixar-te fazer o que quiseres com essa informação.
Tu podes e vais publicar esta conversa na net, onde vai florescer uma semente importante. É capaz de demorar umas centenas de anos a germinar, mas acredita que, eventualmente, irá se desenvolver.
Porquê agora? Parcialmente porque tanto tu como a net estão preparados agora. Mas principalmente porque a raça humana está a chegar a um estado crítico. Volta àquilo que falava-mos dos perigos do conhecimento. Essencialmente, a tua espécie está-se a tornar consciente desse perigo. E quando isso acontece a qualquer espécie sapiente, o futuro só pode seguir 3 rumos.
Muitos são tentados a evitar o perigo por simplesmente evitarem o conhecimento. Como os adaptadores, estão condenados à extinção. Frequentemente de forma agradável dentro dos confins do próprio planeta, caso percam a vontade de viver ou até a vossa estrela se tornar numa gigante vermelha e vos limpar a todos.
Um grande número continua a adquirir esses conhecimentos cegamente, e o seu destino está traçado fatalmente, quando a caixa de Pandora lhes rebentar na cara.
Os únicos que chegam a nível dois são os que aceitam viver com os riscos desse conhecimento mais perigoso. Cada um dos indivíduos deverá conseguir ser capaz de destruir a sua própria espécie a qualquer altura. Ainda assim têm de aprender a se controlar até ao ponto que conseguem sobreviver até este pensamento mortífero. E francamente, esses são os que nós queremos que saiam dos seus sistemas solares. Espécies que não chegam a essa maturidade não podem ser deixados infectar o resto do universo, mas felizmente nunca foi necessária a minha intervenção. O conhecimento trata sempre disso.'
'Porque é que não pode haver uma quarta opção? - em que seleccionamos os melhores caminhos de descoberta de conhecimentos?'
'Como podes ver no percurso da vossa história, as melhores ideias são também as mais perigosas. Ainda têm, por exemplo, de conquistar a fusão nuclear que vai criar excessos de energia apropriados para passarem o corrente estado social de desenvolvimento. Quando dominarem este poder, todas as inigualidades materiais e pobreza irão desaparecer em apenas uma ou duas gerações - um passo absolutamente vital na maturidade de qualquer espécie. Mas como bem sabes, esta tecnologia vital, caso seja abusada, pode acabar com aquilo a que chamam civilização.
Similarmente, irão em breve conquistar doenças biológicas e até mesmo engenhar-se para serem virtualmente livre de falhas. As vossas durações de vida biológica vão duplicar ou triplicar nos próximos 100 anos, e a vossa duração de vida digital vai-se estender para um potencial infinito dentro do mesmo período: Se sobreviverem ao potencial risco que esta mesma tecnologia advém. Na forma de bombas biológicas, vírus artificiais e outras maravilhas de armamento genético e digital.
Simplesmente não conseguem ter benefícios sem correr riscos.'
'Espera, só há uma coisa que não percebi. O meu dever aqui é publicar isto na net e está tudo a andar?'
'Não necessariamente. Não vai ser assim tão fácil, temo eu. Primeiro, quem é que na sua condição normal iria acreditar nisto? Vai ser visto como uma obra de ficção parcialmente engraçada. De facto, as tuas palavras e certamente muito do teu trabalho não irá ser percebido ou apreciado até que algum escolar muito mais avançado desenvolva as ideias que estás a tentar exprimir e as explicar de forma mais competente. Até as ideias serem levadas em massa e buscas irão ser feitas em arquivos. Vão achar este trabalho e ser atingidos pela sua pré ciência. Não vais chegar ao nível do Einstein, mas vai ser considerada uma genialidade!
É claro que tudo isto não vai ter qualquer significado se a humanidade não fizer os avanços-chave nos próximos séculos. E isto não vai vos ajudar a fazer esses avanços. O que irá fazer é ajudar-vos a reconhecer quais os avanços.'
'E.. posso perguntar quais são esses avanços?'
'Eu acho que tu sabes, mas sim - apesar de estarem no nível um, existem váris fases distintas que têm de passar a fim de passar pelo nível dois. O primeiro, como já discutimos, foi a invenção da máquina voadora. O próximo passo significativo é o desenvolvimento da máquina pensante.
Com o vosso presente ritmo de desenvolvimento, estão a meras décadas de alcançar esse objectivo. Isso marca o primeiro passo de evolução tecnológica. Decifrar o código genético humano é outro ponto de referência clássico, mas simplesmente mapear o genoma humano é como ver o código compilado num ficheiro executável. É tudo porcaria sem sentido, apesar de que com um bocadinho de hacking aqui e ali, és capaz de correctamente deduzir a função de determinada parte do código.
O que realmente têm de fazer é "engenharia reversa" do DNA. Têm de determinar a gramática e a sintaxe da linguagem. Só aí vão começar a tarefa de desenhar-vos a vós próprios. Mas essa tarefa requer a máquina pensante.'
'Tu dizes que costumas evitar intervenção.. mas esta conversa em si não é uma - mesmo que toda a gente a ignore completamente?'
'Sim. Mas é apenas até onde eu estou preparado apra ir. O seu efeito é apenas a confirmação, e se a encontrares, estás no caminho certo. É ainda inteiramente vossa responsabilidade navegar pelos perigos do deste caminho e para mais além.'
'Mas para quê dar-se a tanto trabalho? De certeza que isso é apenas outra vulgar etapa evolutiva. Nós ou estamos preparados ou não.'
'Em muitos casos, a transição da espécie informativa é o estado mais traumático da evolução. As inteligências biológicas têm um sentido de consciência fortemente enraizado, só concebível de um cérebro orgânico. Quando chegamos aos termos de criar o sucessor, não de uma forma de pai para filho, mas no senso colectivo de reconhecimento das espécies tornar-se redundante. Esta mudança de paradigma, é para muitas espécies, uma mudança demasiada. Eles afastam-se disso e escolhem fugir desse novo conhecimento. Falham e extinguem-se. Ainda assim não existe nada de fundamentalmente mal com eles - só a falta de imaginação.
Eu espero que ao fazer passar a mensagem de que eu sou o produto de tal evolução, isso lhes possa dar a confiança para tentarem. Já discuti isso com as espécies do nível 2 e chegámos ao consenso de que este pequeno toque é capaz de aumentar o número de espécies contendoras de nível 2 sem deixar traços danificadores. Já foi tentada esta técnica em 312 casos. O júri ainda está a avaliar, apesar de que já produziu um aumento significativo de 12% na adesão à passagem de espécie biológica a informativa.'
'Ok, então e se de repente toda a gente levasse isto a sério e acreditassem em todas as palavras que dissesse? Não iria isso causar uma mudança muito mais dramática?'
'Confia em mim. Eles não vão.'
'Então e se esse é o caso, imagina que outro asteróide decide vir em direcção à Terra, não irias fazer nada para o impedir?'
'Estou confiante que iriam passar esse teste. E agora, meu amigo, a entrevista acabou. Perguntaste-me uma série de perguntas certas, e eu disse o que vim dizer, por isso vou andando agora. Foi um prazer te conhecer - és bastante esperto.. Para uma formiga!' Ele piscou o olho.
'Olha, só mais uma última pergunta.. Porque é que te apresentas como uma pessoa normal com mais ou menos 20 anos?'
'Alguma vez de alguma forma a minha presença pareceu-te ameaçadora?'
'Não.'
'Achas-me atractivo sexualmente?'
'Uh.. Não.'
'Então tenta descobrir a razão...'
O meu pai chegou, entrei na carrinha e começamos a andar.
Ele levantou-se, fez-me adeus e foi-se embora.
Já sei o que estão a pensar: Como é que raio sabes que era Deus?
Bem, eu vou explicando à medida que vamos andando, mas basicamente ele convenceu-me por simplesmente ter todas, e eu quero dizer TODAS, as respostas. Todas as perguntas que eu lhe mandava eram atiradas de volta com uma plausível e satisfatória resposta. No fim, era mais fácil aceitar que ele era Deus do que o contrário.
O que é esquisito, porque eu sou ateu!
Tudo começou quando estava à espera do meu pai numa paragem de autocarro, não estava lá ninguém. Nem pessoas chatas de paragens de autocarros, nem crianças a ouvir música em altos berros a partir do telemóvel, nada. Então eu saco do meu próprio smartphone e ponho-me a jogar aquele jogo de puzzles com a bolinha..
Como é que ele se parecia?
Não é a pessoa que mais estavam à espera, isso é de certeza. Parecia-me ter uns 20 e tal anos, usava umas calças de ganga e uma t-shirt com uma imagem do hobgoblin. Definitivamente casual. Parecia ser talvez um trabalhador da segurança social ou até mesmo um programador como eu.
'Posso-me sentar?' disse ele.
'Faça favor' respondi.
Senta-se, relaxa, eu ignoro e continuo no meu mega vício de telemóvel.
Passa um autocarro e de repente ele diz:
'Posso te fazer uma pergunta?'
A lutar para não levantar a sobrancelha, respondi 'Sim.' com um tom que expressava que não me importava de responder a uma pergunta ou outra, mas não estava com vontade de conversar...
'Porque é que não acreditas em Deus?'
FFFFFF.. eu adoro este tipo de conversas, e consigo até mesmo ficar a saltitar nisto durante horas sobre a falta de sentido nas crenças teístas.. Mas eu tenho de ter vontade! É tipo quando as mulheres da Jeová tocam à campainha quando tens mesmo urgentemente de sair de casa. Tanto gozo desperdiçado! Mas caga nisso, eu não estava mesmo com vontade de conversar sobre isso. Tinha de arranjar maneira de dissipar a conversa.
Mas de repente lembrei-me.. 'Esquisito.. como é que este completo estranho está tão obviamente confidente - e correcto - sobre o meu ateísmo?' Podia haver algum pormenor sobre mim que lhe desse essa pista, mas não. Eu não tenho t-shirts sobre a evolução, não estava a jogar nenhum jogo puramente anti-bíblico. Como é que raio?
'O que é que te faz ter a certeza que eu não acredito?'
'Porque,' disse ele - 'Eu sou Deus - e tu não tens medo de mim.'
Vão ter de acreditar em mim, mas existem maneiras de entregar uma linha como essa - muitas das quais levariam o sujeito que a proclama a ser candidato a uma instituição mental, ou pelo menos prozac. Algumas até construídas de forma a serem levemente engraçadas.
Proclamar isso como um 'facto indiferente' é uma tarefa extremamente complicada, mas foi assim que lho saiu. Nada no seu tom de voz ou atitude atingiu-me de maneira diferente da esperada para aquela frase. Ele disse porque acreditava verdadeiramente nisso, e a sua racionalidade não me parecia derivar de um colapso psicológico ou de drogas alucinogénas.
'Porque haveria eu de acreditar nisso?'
'Bem' disse ele 'porque não me perguntas algumas questões? O que quiseres, para ver se as respostas satisfazem a tua mente céptica.'
Isto vai ser uma conversa curta afinal, pensei eu.
'Quem sou eu?'
'Serro. José Serro, nascido a 7 de Dezembro de 1993, Lagos, Portugal. Mãe Telma Marreiros, pai José Serro. Educado em várias escolas, desde a pré-primária, na Praia da Luz, até à presente escola secundária, Gil Eanes de Lagos. Encontras-te na turma A do 11º ano e és o número 11 da turma. Pouco sucesso em termos amorosos mas perfeitamente normal. Estás a voltar para casa após um breve passeio em que apostas no teu futuro como programador. Hoje de manhã não comeste absolutamente nada, pois nunca tens fome a essa hora.'
Ele pausou.
'Não me pareces convencido. Hmmm... o que é que seria necessário para te convencer?'
'Ah, já sei! A tua password secreta e a sua associação.'
Um verdadeiro hacker conseguiria, de forma muito remota, obter a minha password. Mas ninguém, e eu digo
NINGUÉM
sabe a sua associação.
Ele sabia.
Agora.. como é que teriam reagido?
Eu ainda lhe atirei mais umas quantas perguntas relativamente insignificantes mas que eu não sabia ao certo da minha vida. Aparentemente a primeira palavra que disse não foi "Coca-Cola" mas sim "mamã" :(
Mas eu já estava praticamente convencido. Eu sabia que só havia 3 possíveis explicações neste momento.
A primeira possibilidade era que eu estava ou a dormir ou a alucinar. Ninguém descobriu ainda uma maneira de determinar isso ainda, mas naquele momento era o sentimento dominante. Eu não me sentia real. Mais como se tivesse numa peça. A agir consoante as minhas linhas. Mas desde o ocorrido, tenho tido contínuas memórias bastante vividas de tudo, o que descarta a possibilidade de ser um sonho. E não me parece que tenha estado a alucinar desde ai. Estou agora inclinado a rejeitar esta hipótese. O que me deixa com outras duas.
Ele podia ser um verdadeiro telepata. Não existe evidência documentada de um ser com profundas habilidades até hoje, mas era uma possibilidade. Teria explicado como é que ele sabia os meus mais profundos segredos. Mas o problema é que não explicava nada do resto!
Como Sherlock Holmes diz, quando eliminares o impossível, o que resta, quão improvável é, tem de ser a verdade.
Bom empirista, Sherlock.
Fui forçado a aceitar a mínima possibilidade que este homem diz ser quem é.
O que fariam nesta situação?
Eu sempre soube que, se na mais remota possibilidade de conhecer Deus eu teria milhões de perguntas para ele. Então pensei, 'porque não?'
Daí veio uma conversa, em que eu estava um bocadito nervoso, sem mencionar o facto de que foi BASTANTE esquisita.
'Ok pensa direito, Zé. Tu sempre quiseste estar numa situação destas. E agora estás mesmo! Não quero desperdiçar uma oportunidade de uma vida!' Pensei eu.
'Não vais.' disse ele.
Ok. Foi neste momento em que me senti mais surreal do que em qualquer altura na vida. Um gajo sentado ao meu lado e obviamente a ler os meus pensamentos.. É tipo encontrar a mão de alguém dentro do próprio bolso.
De qualquer forma, algo me fez ficar inclinado para aceitar esta invasão. Eu estava de certeza a começar a ter confiança nas suas percepções e habilidades. Lembro-me distintamente o efeito das palavras que ele proferiu. Senti-me fortemente reassegurado e completamente relaxado. Como se não tivesse sequer uma dúvida. Porra, ele tinha umas técnicas de sedução maradas.
Foi então que começou a verdadeira conversa..
'És humano?'
'Não.'
'Já foste alguma vez?'
'Não. Mas parecido, sim.'
'Ahh, então és uma espécie de produto de uma evolução?'
'Certamente - dos meus.'
'Então.. evoluíste de uma espécie como a nossa, organismos baseados em DNA, ou igualmente exequível?'
'Correcto.'
'Então o que te faz, na verdade, ser Deus?'
'Eu fiz.'
'Porquê?'
'Parecia uma boa ideia na altura.'
'E os teus poderes actuais.. são de alguma forma parecidos aos que os fanáticos religiosos acreditam e tos atribuem?'
'Perto o suficiente.'
'Então tu criaste tudo isto para nós?'
'Não. Claro que não.'
'Mas criaste este universo?'
'Este sim.'
'Mas não o teu?'
'Este é o meu!'
'Tu sabes o que eu quero dizer..'
'Não consegues criar os teus próprios pais, por isso não.'
'Então deixa-me ver isto direito.. Tu és um fenómeno completamente natural?'
'Inteiramente.'
'A partir de princípios fundamentais em que nos baseamos e que um dia possivelmente possamos entender e até mesmo controlar?'
'Subjectivo a quem "nós" é, mas sim.'
'Quer dizer que se a espécie humana não chegar a isso, outras espécies irão eventualmente?'
'Como uma.'
'e quantas espécies é que se encontram presentemente à nossa frente?'
'Surpreendentemente poucas. Pouco menos de 14 milhões.'
'POUCAS?'
'Porra.'
'E quantas é que se encontram mais ou menos ao nosso nível?'
'Pouco mais de 4 mil e 500 milhões.'
'Então a nossa presença no universo é equivalente à de um ser humano qualquer no meio do nosso planeta, em relação à raça humana?'
'Um pouco menos. Nível Um. O nível que a vossa espécie já alcançou, começa com a invenção da máquina voadora. A minha definição de nível foi levemente abrangida pelo vosso escritor de ficção científica famoso, Isaac Asimov. O segundo nível consiste no controlo da vossa sustentabilidade primária. No vosso caso, o Sol. O que Asimov considera tecnologia Tipo I.
A Humanidade ainda agora chegou ao nível da conquista aérea, por isso, como podes imaginar, nesta escala, o ser humano está bastante no fundo do primeiro nível.'
'E todas estas espécies são teus filhos?'
'Gosto de ver as minhas criações dessa forma, sim.'
'Até que ponto?'
'Ao mais simples "A vida deve prosseguir". A minha motivação pessoal é o desejo pela conversação. Mal chegas ao meu nível, deixas de ser milhares de milhões de entidades separadas e passas a ser apenas uma singularidade. Um ser tão avançado, imortal, e tão avançado que por vezes se torna aborrecido! Parece-me que sou o primeiro. E não quero ser o último!'
'Então criaste um Universo potencialmente capaz de criar um Deus como tu?'
'O benefício total é temporário. Mas como a maior parte dos orgasmos, vale a pena.'
'Isto até ao momento em que o novo Deus se junta a ti e formam um novamente?'
'Não jogues isso a baixo! Isso é a visão estática que nos leva a todos, a mim incluído - e quando isso acontecer, o êxtase vai durar muito mais do que o tempo de vida que este universo já tem. Acredita, vale mesmo a pena o esforço.'
'Sim, consigo ver quais as atracções de um orgasmo que dure um bilião de anos..'
'E os humanos ainda nem sequer conseguiram realmente desfrutar do prazer dos orgasmos que são capazes. Esperem só até amestrarem essa simples arte!'
'Então tem tudo a ver com o sexo?'
'O êxtase é meramente uma recompensa por procriarem. É o que faz quererem faze-lo. Inicialmente esta é necessária para promover a evolução biológica. É claro que após passarem esta fase já não vai ser necessária a procriação e irão aprender que esse êxtase de prazer pode ser infinitas vezes mais forte do que qualquer coisa oferecida pelo sexo.'
'Parece-me bom..'
'Quão directo é o teu envolvimento nesta figura? Simplesmente deste rastilho ao Universo, chegaste-te para trás e observaste o espectáculo? Ou tiveste de pôr propositadamente todas as sementes em planetas apropriados?'
'As sementes são puramente resultado das operações realizadas pelas leis de física e química que os vossos cientistas hoje quase entendem. Sim, eu provoquei o Big Bang e essencialmente fiquei dormente durante os 5 mil milhões de anos seguintes. Isso foi o tempo necessário para que as primeiras formas de vida aparecessem. Isso põe-os aproximadamente a 8 mil milhões de anos à vossa frente. As primeiras formas de vida inteligente estão aproximadamente a 4.3 mil milhões de anos à vossa frente. Bastante avançados. Costumo ter conversas significativas e incrivelmente profundas com esses, e usualmente faço. Na verdade, estou de momento enquanto falamos.'
'E então e depois?'
'Se eu mantenho uma vigília completa sobre todas as acções que fazem? Não da forma que costumam imaginar. Digamos só que mantenho uma consciência global a nível planetário. Tendo só a focar-me em pontos de evolução importantes. Para ver se estão a ir na direcção certa.'
'E se não tiverem?'
'Nada. Usualmente.'
'Usualmente?'
'Usualmente as espécies acabam por se matar a elas próprias ou a se tornarem extintas por outras razões.'
'Usualmente?'
'Já houve alguns casos em que a espécie errada teve o potencial de se tornar na espécie dominante.'
'Deixa-me adivinhar. Os dinossauros do nosso planeta são um exemplo. Demasiado bem sucedidos. A suprimir o desenvolvimento dos Mamíferos e não mostravam sinais de desenvolver inteligência. Então fizeste uns pequenos arranjos para uma acção correctiva na forma de um astróide cuidadosamente seleccionado.'
'Perceptivo.. Quase correcto. Eles, na verdade, mostravam sinais de desenvolvimento de inteligência, e até cooperação. Estuda os vossos velociraptors. Mas demasiado predadores. Incapazes de alguma vez desenvolverem um "respeito" por outras formas de vida. É necessário promover uma ligação emocional com outros seres. Os Répteis da Terra não foram feitos para isso. Os Mamíferos desta altura nunca poderiam sobreviver contra tamanhos predadores. Ainda agora chegaram ao estado em que conseguiriam manter-se mesmo com os dinossauros, mas isso só começou a ser verdade à mais ou menos 1000 anos. Não teriam quaisquer hipóteses, por exemplo, há 2 milhões de anos. E por isso os dinossauros tiveram de ir. Eles eram, por outro lado, incrivelmente bem adaptados à ecologia do planeta, e nunca desenvolveram tecnologia, por isso não se iam matar a eles próprios muito rapidamente. Lamentavelmente tive de intervir.'
'Lamentavelmente?'
'Eram criaturas belas e profundamente bem adaptadas. Um não destrói tais coisas sem pensar muito.'
'Mas naquela altura como saberias que ia aparecer uma nova espécie com um melhor proveito?'
'Eu não sabia. Mas as probabilidades eram bastante elevadas.'
'E desde então que outras artimanhas é que foste responsável no nosso desenvolvimento?'
'Nenhuma até agora. Eu activei um alarme para me alertar de alguma actividade aérea, como costumo fazer. Leonardo parecia promissor ao início, mas quem despertou verdadeiramente a minha atenção foram os irmãos Montgolfier. Isso registou-os como uma espécie inteligente de nível um.'
'Então e Jesus, Mohamed, Moisés, Nazaré, etc?'
'Bastante mal guiados, receio. Qualquer um capaz de comunicar com as suas próprias células vai tenuemente se aperceber de que a minha presença - e a de toda a outra vida está conectada num senso quântico estrito. Mas a interpretação dessa visão como uma representação de algo sobrenatural e que requer obediência é algo fora da linha. E os seus seguidores são todos um pouco obsessivos e religiosos para o meu gosto. Para de ter piada ser adorado quando passamos da adolescência. Tendo dito isto, não é totalmente desusual para espécies em desenvolvimento passarem por essa fase. Até que estes consigam se aperceber do seu poder sobre a moldagem do universo à sua volta, pelo menos. Eventualmente, se a espécie quer ter alguma hipótese de se desenvolver para ser nível 2, têm de crescer disso e aceitar o seu próprio poder e potencial.
É muito parecido à relação entre uma criança e os seus pais. A reverência e adoração devem desaparecer antes de entrar na idade adulta. O respeito não é mau de todo, a não ser que seja exagerado. E eu certamente respeito todas as espécies que chegaram tão longe. É um caminho duro. Eu sei. Já passei por lá.'
'Tens-nos observado desde os Montgolfiers.. isso é desde quê? 1650s?'
'Perto. 1783.'
'Bem, já que nos tens observado de perto desde então, o que o ser humano normal iria querer perguntar era a razão pela qual não interferiste com mais frequência. Porquê, se tens todo esse poder, deixas passar tanta miséria e sofrimento humano?'
'Parece-me ser necessário.'
'NECESSÀRIO?!'
'Sem excepções, espécies inteligentes ganham dominação do seu planeta por se tornarem nos predadores mais eficientes. Existem muitas espécies inteligentes que não chegam a evoluir para dominar o planeta. Como os vossos golfinhos, eles adaptam-se perfeitamente ao meio ambiente, ao contrário de seguir o vosso caminho, que é manipular o meio ambiente. Infelizmente para os golfinhos, chegaram a um beco sem saída. Mesmo que a espécie sobreviva mais que os humanos, nunca irão escapar os limites do planeta Terra - pelo menos sem a vossa ajuda, não. Só aqueles que conseguem manipular o meio envolvente é que podem ter se quer esperanças de espalhar a sua semente pelo Universo.
Ao contrário dos adaptadores, que aprendem o ponto de cooperação muito cedo, os manipuladores continuam a lutar. E, mal todas as espécies inferiores forem dominadas, eles são tão competitivos e predadores que são levados a se virar contra eles próprios. Isto leva sempre à criação de competitividade tribal, e por aí a diante, tornando-se cada vez mais destrutiva - exactamente como a vossa própria história. Contudo, esta competitividade é vital para promover o salto evolutivo de biológico para tecnológico.
É necessária uma corrida armamentista para que haja progresso.
O vosso desejo pela dominação alimenta uma busca pelo conhecimento que os adaptadores nunca iriam necessitar. E embora a vossa aspiração por conhecimento é destrutiva e egoísta, começa o desenvolvimento de uma auto-consciência intelectual, uma forma de maior consciência, que nunca emerge em outras espécies. Nem mesmo quando as estão a experiênciar, por exemplo, conseguem os adaptadores - os vossos golfinhos - exprimir os conceitos de Amor ou Tempo?
A militarização e o desenvolvimento de armas de destruição maciça são o vosso primeiro teste sério no nível um. Ainda não passaram essa fase, mas mostram sinais promissores. Não existe nenhuma razão para eu prevenir a vossa auto-destruição. A vossa habilidade para sobreviver a esses impulsos é um teste crucial da vossa aptidão para sobreviver nos próximos estados. Então eu não, nunca e nunca irei intervir para prevenir uma espécie de se auto-extinguir. A maior parte, na verdade, conseguem isso sozinhos.'
'Mas e então quanto às pessoas que sofrem tantos tormentos?'
'Não posso dizer que seja uma coisa que me marque muito, mas quanto tempo passas a pensar nas formigas que pisas durante toda a tua vida, sem querer? Sei que pode parecer horrendo para ti, mas tens de ver isto num ecrã maior. Nesta altura do desenvolvimento humano, começam-se a tornar interessantes. Mas não importantes.'
'Ah, mas eu não consigo ter uma conversa inteligente com uma formiga..'
'Precisamente.'
'hmm.. mas como sabes, a grande maioria dos humanos não engolem bem essa perspectiva. Como é que a farias mais apetecível?'
'Porque haveria eu? Tu não me pareces estar a ter problemas em aceita tudo isto. Não és de maneira nenhuma inigualável. E de qualquer forma, mal começam a se aperceber do que lhes vem de bom, vão estar de alguma forma menos inclinados a se queixar. A vida eterna compensa para a maioria das coisas.'
'Então e o que é que seria necessário para que conseguisse-mos chegar ao conjunto de membros dessa inteligência universal?'
'Evoluem. Sobrevivem.'
'Sim, mas como?'
'Ah, pensava que já tinhas chegado a isso. O "como" é inteiramente da vossa parte. Se eu precisar de ajudar, vocês são uma falha. Só digo isto. Já passaram um grande obstáculo ao aprenderem a viver com a tecnologia nuclear. É deprimente o número de espécies que falham aí.'
'Então há pior para vir?'
'Bastante.'
'Armas Genéticas, por exemplo?'
'Uma boa possibilidade..'
'Mas o problema é que ao desenvolvermos estas tecnologias, vamos adquirir todo esse conhecimento perigoso para chegar ao nível dois. Mas a qualquer altura esse conhecimento pode ser fatal para nós.'
'Se achas que o armamento genético é algo sério, imagina descobrirem um segredo ou pensamento, acessível a qualquer indivíduo inteligente, que, se abusado, levasse à aniquilação da vossa espécie instantaneamente. Se o vosso progresso continua a este ritmo, então podem esperar conseguir obter um conhecimento desse tipo em menos de 1000 anos. Têm de crescer consideravelmente antes de poderem sequer obter esse conhecimento. E se não conseguirem.. bem, nunca irão se juntar às outras espécies fora do sistema solar no nível 2.'
'14 milhões deles..'
'Mesmo abaixo.'
'E vai haver espaço para a gente?'
'É um sítio grande.'
'Então e como é que nós, pequenos mortais, havemos de te olhar?'
'Mais ou menos como um irmão ou irmã mais velho. Claro que sei mais do que vocês. Já estive vivo mais tempo. Mas não sou propriamente "melhor" que vocês. Só muito mais desenvolvido. Talvez o que se possam tornar.'
'Então não somos obrigados a "Te agradar" ou adorar as tuas linhas guiadas ou algo assim?'
'Claro que não. Nunca eu pus regras no caminho que devem seguir. Têm de descobrir a saída deste labirinto sozinhos. E um grande salto na evolução é pararem de querer ajuda minha - ou de qualquer outro.
Eu suponho que isso até seja uma espécie de orientação!
Mas a sério, as espécies que tendem a se agarrar demasiado a crenças religiosas acabam por se auto-destruir. Gastam tanto tempo e energia a argumentar sobre a minha verdadeira natureza e gastam tanta emoção nas suas selvagens e erratórias imagens, que acabam por se matar uns aos outros só pela diferenças nas definições de algo que não tem importância nenhuma no desenvolvimento da espécie, e que não têm sequer pistas sobre. Comportamento ridículo, mas acaba por eliminar os fracos.'
'Porque é que me escolheste a mim? Um ateísta entre todas as pessoas? Porque é que me estás a dizer isto? E porquê agora?'
'Porque é que te escolhi a ti? orque aceitas a minha existência sem que o teu ego se enrole num canto a chorar.
Consegues seriamente imaginar a reacção do Papa à realidade da minha existência? Se ele realmente percebesse o quão errado ele e a igreja têm agido, quanta da dor e do sofrimento que mencionaste anteriormente foi causado pela sua religião, suspeito que ele teria uma coronária instantânea! Ou consegues imaginar o que aconteceria se eu aparecesse "em directo" simultâneamente em várias dezenas de programas de propaganda tele-evangelista. O Pat Robertson iria se cremar se soubesse com quem é que estava a falar.
Reciprocamente, o teu interesse é puramente académico. Nunca engoliste o conto de fadas mas estiveste sempre aberto à possibilidade de um ser mais avançado que conseguisse adquirir poderes tipo Deus. Acertaste correctamente que o sentido da vida é o estatuto de Deus. Mostraste que consegues aceitar bem o conceito. Parecia-me razoável confirmar as tuas suspeições e deixar-te fazer o que quiseres com essa informação.
Tu podes e vais publicar esta conversa na net, onde vai florescer uma semente importante. É capaz de demorar umas centenas de anos a germinar, mas acredita que, eventualmente, irá se desenvolver.
Porquê agora? Parcialmente porque tanto tu como a net estão preparados agora. Mas principalmente porque a raça humana está a chegar a um estado crítico. Volta àquilo que falava-mos dos perigos do conhecimento. Essencialmente, a tua espécie está-se a tornar consciente desse perigo. E quando isso acontece a qualquer espécie sapiente, o futuro só pode seguir 3 rumos.
Muitos são tentados a evitar o perigo por simplesmente evitarem o conhecimento. Como os adaptadores, estão condenados à extinção. Frequentemente de forma agradável dentro dos confins do próprio planeta, caso percam a vontade de viver ou até a vossa estrela se tornar numa gigante vermelha e vos limpar a todos.
Um grande número continua a adquirir esses conhecimentos cegamente, e o seu destino está traçado fatalmente, quando a caixa de Pandora lhes rebentar na cara.
Os únicos que chegam a nível dois são os que aceitam viver com os riscos desse conhecimento mais perigoso. Cada um dos indivíduos deverá conseguir ser capaz de destruir a sua própria espécie a qualquer altura. Ainda assim têm de aprender a se controlar até ao ponto que conseguem sobreviver até este pensamento mortífero. E francamente, esses são os que nós queremos que saiam dos seus sistemas solares. Espécies que não chegam a essa maturidade não podem ser deixados infectar o resto do universo, mas felizmente nunca foi necessária a minha intervenção. O conhecimento trata sempre disso.'
'Porque é que não pode haver uma quarta opção? - em que seleccionamos os melhores caminhos de descoberta de conhecimentos?'
'Como podes ver no percurso da vossa história, as melhores ideias são também as mais perigosas. Ainda têm, por exemplo, de conquistar a fusão nuclear que vai criar excessos de energia apropriados para passarem o corrente estado social de desenvolvimento. Quando dominarem este poder, todas as inigualidades materiais e pobreza irão desaparecer em apenas uma ou duas gerações - um passo absolutamente vital na maturidade de qualquer espécie. Mas como bem sabes, esta tecnologia vital, caso seja abusada, pode acabar com aquilo a que chamam civilização.
Similarmente, irão em breve conquistar doenças biológicas e até mesmo engenhar-se para serem virtualmente livre de falhas. As vossas durações de vida biológica vão duplicar ou triplicar nos próximos 100 anos, e a vossa duração de vida digital vai-se estender para um potencial infinito dentro do mesmo período: Se sobreviverem ao potencial risco que esta mesma tecnologia advém. Na forma de bombas biológicas, vírus artificiais e outras maravilhas de armamento genético e digital.
Simplesmente não conseguem ter benefícios sem correr riscos.'
'Espera, só há uma coisa que não percebi. O meu dever aqui é publicar isto na net e está tudo a andar?'
'Não necessariamente. Não vai ser assim tão fácil, temo eu. Primeiro, quem é que na sua condição normal iria acreditar nisto? Vai ser visto como uma obra de ficção parcialmente engraçada. De facto, as tuas palavras e certamente muito do teu trabalho não irá ser percebido ou apreciado até que algum escolar muito mais avançado desenvolva as ideias que estás a tentar exprimir e as explicar de forma mais competente. Até as ideias serem levadas em massa e buscas irão ser feitas em arquivos. Vão achar este trabalho e ser atingidos pela sua pré ciência. Não vais chegar ao nível do Einstein, mas vai ser considerada uma genialidade!
É claro que tudo isto não vai ter qualquer significado se a humanidade não fizer os avanços-chave nos próximos séculos. E isto não vai vos ajudar a fazer esses avanços. O que irá fazer é ajudar-vos a reconhecer quais os avanços.'
'E.. posso perguntar quais são esses avanços?'
'Eu acho que tu sabes, mas sim - apesar de estarem no nível um, existem váris fases distintas que têm de passar a fim de passar pelo nível dois. O primeiro, como já discutimos, foi a invenção da máquina voadora. O próximo passo significativo é o desenvolvimento da máquina pensante.
Com o vosso presente ritmo de desenvolvimento, estão a meras décadas de alcançar esse objectivo. Isso marca o primeiro passo de evolução tecnológica. Decifrar o código genético humano é outro ponto de referência clássico, mas simplesmente mapear o genoma humano é como ver o código compilado num ficheiro executável. É tudo porcaria sem sentido, apesar de que com um bocadinho de hacking aqui e ali, és capaz de correctamente deduzir a função de determinada parte do código.
O que realmente têm de fazer é "engenharia reversa" do DNA. Têm de determinar a gramática e a sintaxe da linguagem. Só aí vão começar a tarefa de desenhar-vos a vós próprios. Mas essa tarefa requer a máquina pensante.'
'Tu dizes que costumas evitar intervenção.. mas esta conversa em si não é uma - mesmo que toda a gente a ignore completamente?'
'Sim. Mas é apenas até onde eu estou preparado apra ir. O seu efeito é apenas a confirmação, e se a encontrares, estás no caminho certo. É ainda inteiramente vossa responsabilidade navegar pelos perigos do deste caminho e para mais além.'
'Mas para quê dar-se a tanto trabalho? De certeza que isso é apenas outra vulgar etapa evolutiva. Nós ou estamos preparados ou não.'
'Em muitos casos, a transição da espécie informativa é o estado mais traumático da evolução. As inteligências biológicas têm um sentido de consciência fortemente enraizado, só concebível de um cérebro orgânico. Quando chegamos aos termos de criar o sucessor, não de uma forma de pai para filho, mas no senso colectivo de reconhecimento das espécies tornar-se redundante. Esta mudança de paradigma, é para muitas espécies, uma mudança demasiada. Eles afastam-se disso e escolhem fugir desse novo conhecimento. Falham e extinguem-se. Ainda assim não existe nada de fundamentalmente mal com eles - só a falta de imaginação.
Eu espero que ao fazer passar a mensagem de que eu sou o produto de tal evolução, isso lhes possa dar a confiança para tentarem. Já discuti isso com as espécies do nível 2 e chegámos ao consenso de que este pequeno toque é capaz de aumentar o número de espécies contendoras de nível 2 sem deixar traços danificadores. Já foi tentada esta técnica em 312 casos. O júri ainda está a avaliar, apesar de que já produziu um aumento significativo de 12% na adesão à passagem de espécie biológica a informativa.'
'Ok, então e se de repente toda a gente levasse isto a sério e acreditassem em todas as palavras que dissesse? Não iria isso causar uma mudança muito mais dramática?'
'Confia em mim. Eles não vão.'
'Então e se esse é o caso, imagina que outro asteróide decide vir em direcção à Terra, não irias fazer nada para o impedir?'
'Estou confiante que iriam passar esse teste. E agora, meu amigo, a entrevista acabou. Perguntaste-me uma série de perguntas certas, e eu disse o que vim dizer, por isso vou andando agora. Foi um prazer te conhecer - és bastante esperto.. Para uma formiga!' Ele piscou o olho.
'Olha, só mais uma última pergunta.. Porque é que te apresentas como uma pessoa normal com mais ou menos 20 anos?'
'Alguma vez de alguma forma a minha presença pareceu-te ameaçadora?'
'Não.'
'Achas-me atractivo sexualmente?'
'Uh.. Não.'
'Então tenta descobrir a razão...'
O meu pai chegou, entrei na carrinha e começamos a andar.
Ele levantou-se, fez-me adeus e foi-se embora.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Matéria e Anti-Matéria
Matéria. O que é que nós, os humanos, consideramos ser a matéria? Os átomos, os iões as partículas? Tudo faz parte da constituição do universo, mas ao abordar este tema vamos ter em consideração que a matéria são apenas átomos e iões.
Os átomos como nós os conhecemos hoje em dia são constituídos por nuvem de electrões e por um núcleo, que por si só, é constituído por Protões e Neutrões. Este esquema representa a constituição de um átomo:

Como podem ver neste esquema, o átomo apresenta electrões com carga negativa a circundar um núcleo cheio de Neutrões (Com carga Neutra) e Protões, cuja carga é positiva.
Já agora aproveito e refiro-me à composição desses mesmos. Os protões e os neutrões são compostos por quarks. Quarks com cargas parcialmente negativas ou positivas que em grupos de 3, formam essas partículas subatómicas. Eu não vou entrar muito no assunto dos quarks por agora.
E como quem não quer da coisa aparece-nos a Anti-Matéria. Composta de uma maneira muito diferente da matéria normal, mas com uma estrutura muito semelhante. A anti-matéria é como um inverso de tudo o que existe (Não confundir com universo paralelo). Em teoria, num universo perfeito, a matéria e a anti-matéria apareceriam em número igual durante a criação do Universo, levando á sua total aniquilação após um período de tempo curtíssimo. A razão pela qual a matéria prevalece nos dias que decorrem e a anti-matéria não é a assimetria da distribuição da matéria e antimatéria no Universo, segundo alguns cientistas. A antimatéria existia em correlação com toda a matéria, mas por uma pequena fracção (1 matéria a mais por cada 1 bilião de antimatéria) fez com que se acumulasse uma energia tal que acabou por dissipar toda a antimatéria e matéria e libertar essa energia na forma do Big Bang. Isto leva-nos a entender de uma forma teórica como poderia ter ocorrido a formação de tudo.
A Anti-Matéria é uma variante da matéria. As suas partículas sub-atómicas são, simplificadamente, um inverso de polaridade global da sua carga.

No esquema simplificado podemos reparar que a polaridade dos Protões tornou-se inversa, ou seja, negativa, chamando-se assim Anti Protão. A carga dos Electrões também inverteu, formando os Positrões com carga positiva. A diferença das cargas está na sua constituição.
A matéria é constituída por Quarks, a antimatéria por Antiquarks. Isso leva-nos á conclusão de que a matéria e a antimatéria anulam-se em contacto um com outro, ou seja simplesmente anulam-se e convertem-se completamente em energia. E segundo E = MC², a energia libertada ronda os 9×10^16 J/kg (9 vezes 10 elevado a 16 Joules por Quilograma). Essa quantidade enorme de energia é muito superior á de qualquer interacção química ou nuclear (mesmo a fusão).
Em suma, a matéria e a antimatéria são partículas atómicas constituídas por partículas muito mais pequenas com cargas inversas, que durante a criação do Universo, acabaram por aniquilar uma à outra sobrando apenas a matéria que constitui tudo o que é fisico neste mundo tridimensional.
Por favor comentem, adicionarei a versão traduzida para inglês mais tarde.
Os átomos como nós os conhecemos hoje em dia são constituídos por nuvem de electrões e por um núcleo, que por si só, é constituído por Protões e Neutrões. Este esquema representa a constituição de um átomo:

Como podem ver neste esquema, o átomo apresenta electrões com carga negativa a circundar um núcleo cheio de Neutrões (Com carga Neutra) e Protões, cuja carga é positiva.
Já agora aproveito e refiro-me à composição desses mesmos. Os protões e os neutrões são compostos por quarks. Quarks com cargas parcialmente negativas ou positivas que em grupos de 3, formam essas partículas subatómicas. Eu não vou entrar muito no assunto dos quarks por agora.
E como quem não quer da coisa aparece-nos a Anti-Matéria. Composta de uma maneira muito diferente da matéria normal, mas com uma estrutura muito semelhante. A anti-matéria é como um inverso de tudo o que existe (Não confundir com universo paralelo). Em teoria, num universo perfeito, a matéria e a anti-matéria apareceriam em número igual durante a criação do Universo, levando á sua total aniquilação após um período de tempo curtíssimo. A razão pela qual a matéria prevalece nos dias que decorrem e a anti-matéria não é a assimetria da distribuição da matéria e antimatéria no Universo, segundo alguns cientistas. A antimatéria existia em correlação com toda a matéria, mas por uma pequena fracção (1 matéria a mais por cada 1 bilião de antimatéria) fez com que se acumulasse uma energia tal que acabou por dissipar toda a antimatéria e matéria e libertar essa energia na forma do Big Bang. Isto leva-nos a entender de uma forma teórica como poderia ter ocorrido a formação de tudo.
A Anti-Matéria é uma variante da matéria. As suas partículas sub-atómicas são, simplificadamente, um inverso de polaridade global da sua carga.

No esquema simplificado podemos reparar que a polaridade dos Protões tornou-se inversa, ou seja, negativa, chamando-se assim Anti Protão. A carga dos Electrões também inverteu, formando os Positrões com carga positiva. A diferença das cargas está na sua constituição.
A matéria é constituída por Quarks, a antimatéria por Antiquarks. Isso leva-nos á conclusão de que a matéria e a antimatéria anulam-se em contacto um com outro, ou seja simplesmente anulam-se e convertem-se completamente em energia. E segundo E = MC², a energia libertada ronda os 9×10^16 J/kg (9 vezes 10 elevado a 16 Joules por Quilograma). Essa quantidade enorme de energia é muito superior á de qualquer interacção química ou nuclear (mesmo a fusão).
Em suma, a matéria e a antimatéria são partículas atómicas constituídas por partículas muito mais pequenas com cargas inversas, que durante a criação do Universo, acabaram por aniquilar uma à outra sobrando apenas a matéria que constitui tudo o que é fisico neste mundo tridimensional.
Por favor comentem, adicionarei a versão traduzida para inglês mais tarde.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Não existe temperatura no espaço
Muitos podem pensar que existe temperatura no espaço (os meus pais). A ideia errada de que o espaço é extremamente gelado pode ser interpretado de duas formas. Uma diz-nos que a temperatura média de toda a matéria no Universo tem uma temperatura média de 2.75 graus Kelvin (-270ºC). A outra diz-nos que a temperatura no espaço, vácuo, void é muito muito frio perto da mesma temperatura média do universo. Esta última teoria foi provavelmente concebida através de um erro de leitura por parte de quem passou essa ideia a outros.
Não existe temperatura no espaço porque a temperatura e o calor são simplesmente a agitação dos átomos e no vácuo não existe qualquer matéria pois esse é o seu próprio significado.
Em suma, a temperatura do Universo é de -270ºC, enquanto que no espaço não temperatura.
Não existe temperatura no espaço porque a temperatura e o calor são simplesmente a agitação dos átomos e no vácuo não existe qualquer matéria pois esse é o seu próprio significado.
Em suma, a temperatura do Universo é de -270ºC, enquanto que no espaço não temperatura.
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Bem vindos ao meu blog! Eu vou-vos actualizar sobre factos e acontecimentos na minha vida, projectos, etc. Também vou possívelmente falar sobre coisas do ramo de ciências e técnologias.
Antigamente este blog costumava ser em 2 línguas, mas aborreceu.
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